Palavra Pastoral com o Pr. Ricardo Souza
CONSERVANDO OS MARCOS ANTIGOS VOLTAR
 

Texto: Pv 22.28

Tema: Conservando os Marcos Antigos

Introdução:
Saudações. Não nos é permitido fazer uma exegese ampla deste texto, pois não é essa a proposta. olhando para o tema vemos que está sobreposto ao quadrilátero wesleyano, sendo assim entendo que os marcos a serem conservados devem ser entendidos no sentido alegórico, o sentido desses marcos são: Ensinos, educação, paradigmas, limites e uma palavra que gosto muito e que passarei a usar, princípios.

Sendo assim há uma importância grande das escrituras, pois norteiam nossos princípios, também a importância da tradição, pois mostram quais os princípios praticados por nossos pais (guardem essa palavra: pais).

A partir daí quais são os princípios importantes a serem destacados? Há vários, porém quero me deter em um, que penso ser extremamente relevante e que nos lançará para a experiência porém sem que se deixe de lado a razão.

Mesmo correndo o risco de ter o nariz torcido pelos colegas teólogos presentes, acredito que um princípio seja o mais importante a ser conservado: A busca pela manifestação do Espírito Santo. O Pr. Ricardo Barbosa, pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em sua coluna "O Caminho do Coração", revista Ultimato: 349, pág. 31, relata que "Há 40 anos o Espírito Santo ocupava o lugar central dos debates, dos temas de congresso e da literatura", porém com o passar dos anos esse tema diminuiu consideravelmente no meio evangélico, podemos também dizer que esse tema já foi principal em nossas confraternizações de departamentos, nossas festividades e até de nossos Concílios.

Para definir bem essa idéia, vou usar uma forma de organização de idéias oriunda da filosofia, praticada nas cadeiras do Ceforte de Petrópolis com meus alunos, chamada silogismo, que consiste em descrever duas premissas e chegar a uma conclusão, segue então esse arrazoamento:

1- Marcos / Princípios antigos devem ser conservados

2- A busca pela manifestação do Espírito Santo é um marco / princípio antigo

Logo: A busca pela manifestação do Espírito Santo deve ser conservada

Partindo desse silogismo precisamos elucidar as premissas, para isso temos que responder a uma pergunta: Quem são esses pais que plantaram a busca pela manifestação do Espírito Santo? Quem foi que fincou esse marco?

1º) A Igreja primitiva

Poderia usar o termo, igreja apostólica ou bíblica, mas vou usar esse termo que foi plantado em mim pelo meu pai. Após descida do Espírito Santo em Atos 2, a bíblia mostra que a busca pela manifestação do Espírito Santo não era uma opção, não era algo secundário, era primordial, imprescindível.

Vejamos os textos que mostram isso:

At 4.31 - Após Pedro e João serem libertos da prisão um grupo se reúne para orar, o lugar onde estão se move e eles foram cheios do Espírito Santo e anunciaram com ousadia a palavra de Deus;

At 6.3 - A igreja está escolhendo seus diáconos e entre as características importantes não faltou que deveriam ser cheios do Espírito Santo;

At 7.55 -  Estevão está sendo apedrejado, quase ao morrer ele fixa os olhos no céu e cheio do Espírito Santo vê a Glória de Deus;

At 10.44-47 - O Espírito Santo é derramado entre os gentios;

At 16.6,7 - Paulo é impedido pelo Espírito Santo de ir para a Ásia e Bitínia;

At 19.1-6 - Paulo chega a Éfeso e pergunta sobre o Espírito Santo, para Paulo o que importava era a busca pela manifestação do Espírito Santo.

A igreja primitiva só caminhava pelo poder do Espírito Santo, porém os anos vão se passando e vem a patrística, os chamados pais da igreja começam a enfrentar heresias: gnosticismo, arianismo, docetismo. Para evangelizarem o mundo helenístico e para se defenderem da contra as heresias ingressam no campo da filosofia, começam a dialogar com o neo-platonismo, alguns começam a valorizar mais a razão e começam a esquecer as experiências da busca pela manifestação do Espírito Santo.

Surgem várias figuras ilustres para defenderem a filosofia, como Clemente de Alexandria, que dizia que a filosofia era a base para Jesus entre os gentios como o A.T. era para os judeus, se discípulo Orígenes escreve um número absurdo de pensamentos ligados a filosofia e chega a falar que a manifestação espiritual das línguas era restrita a época dos apóstolos.

Com esse afastamento da busca pela manifestação do Espírito Santo a patrística resulta nos escritos de Agostinho que bate o martelo naquilo que mais tarde vai ser chamado de doutrina cessacionista, afirmando que os dons espirituais cessaram na época dos apóstolos. Começava a idade das trevas, não só na história, como na busca pela manifestação do Espírito Santo.

1ª aplicação = Cuidado para que nos tempos que vivemos hoje na pós-modernidade o cuidado com a defesa da fé, contra heresias como da falsa teologia da prosperidade, não nos afaste da busca pela manifestação do Espírito Santo.

A idade das trevas da busca pela manifestação do Espírito Santo foi longa, nem Lutero com a reforma protestante conseguiu voltar as raízes neste aspecto (não era seu foco). A mudança vai começar com os pietistas dos séculos XVII e XVIII, esses vão influenciar os moravianos que vão influenciar: Wesley.

2º) John Wesley

É fato que a experiência do dia 24 de maio de 1738 do coração abrasado não fez Wesley sair daquela reunião falando em línguas e gritando "TERRA!!!". Porém não podemos negligenciar que aquela experiência mudou o ministério de Wesley, mudou sua pregação, mudou sua vida, mudou sua convicção de salvação.

Pode até ser que Wesley tenha sofrido influência do filósofo conterrâneo e xará John Locke, que valorizava o sentido acima de qualquer coisa e que entendia que para se chegar ao conhecimento de algo deveriam ser usados os sentidos, conseqüentemente o que valia era a experiência, mas a própria experiência de Wesley foi marcante.


Wesley não entendia o Espírito Santo apenas como o agente de salvação e de certeza de salvação e como aquele que deveria produzir frutos externos de santidade, ele valorizava também a busca pela manifestação do Espírito Santo, como relata em vários de seus escritos. Wesley defendeu que as manifestações bíblicas do poder do Espírito Santo precisam se repetir, citando Atos 4.31, usou também o texto de Lucas 11.13 para dizer que os homens deveriam buscar o Espírito Santo.

Novamente o tempo causa males e com o passar dos anos o metodismo oriundo de Wesley, formador do metodismo americano que vem para o Brasil, novamente se envereda pelo caminho da institucionalização e a organização eclesiástica passa a ser mais valorizada que a busca pela manifestação do Espírito Santo.

2ª Aplicação = Cuidado para que as instituições e as organizações não sejam mais importantes para você que a busca pela manifestação do Espírito Santo, cuidado para que o ardor não perca espaço para o amor pelo nome, pela denominação, pelas coisas.

No fim do século XIX surge um movimento nos EUA em uma  rua chamada Azuza, em que um grupo começa a orar e essa oração leva aquele grupo a uma profunda comunhão com o Espírito Santo, esse grupo tem uma experiência sobrenatural e passam a defender que os dons do Espírito não cessaram na época dos apóstolos, eram para eles agora, esse grupo gera o que chamamos de Movimento Pentecostal, que vai influenciar várias gerações, chegando até a década de 60 onde um movimento de avivamento surge dentro das igrejas tradicionais (cessacionistas).

Em 1963 na Tijuca em uma sala do STBSB (Seminário Batista do Sul), um grupo de seminaristas recebem uma manifestação do Espírito Santo em uma reunião de oração, esses seminaristas são batizados com o Espírito Santo e começam um grande movimento de avivamento, dentre eles estava Enéas Tognini (líder do movimento das igrejas batistas renovadas);

Em 1965 e 1966, 52 igrejas são excluídas da Convenção Batista Brasileira e formam e 1966 a Convenção Batista Nacional, esse movimento atinge também a Igreja Metodista do Brasil, segundo o livro do Bispo Anderson Caleb, relatos do saudoso bispo Gessé mostram que já em 1962 se realizava um "trabalho de avivamento" em Volta Redonda, que em 1964 em um Concílio Distrital em Niterói o próprio Enéas Tognini deu uma palestra sobre dons espirituais, o que culmina em 1966 com vários irmãos e pastores batizados com o Espírito Santo, fazendo vigílias nos montes, falando em línguas, profetizando, tendo revelações, orando por curas...

Isso tudo canaliza a história para a famosa reunião da ponte em janeiro de 1967.

3º) Fundadores da IMW

O Principal motivo de nascimento de nossa denominação foi a busca pela manifestação do Espírito Santo, a igreja nasce e cresce debaixo de um mover sobrenatural. Há relatos diversos de quem vivenciou a época de que o mover do Espírito Santos foi extraordinário, com curas, milagres, sinais, línguas, revelações. batismo com o Espírito Santo e uma busca pela manifestação do Espírito Santo constante.

Como a história que cresci ouvindo de meu pai, de que fora mudado o pastor da IMW de Benfica e chegou o pastor novo: Benildo. Meu pai não gostou muito dele e pensou que havia chegado um mau pastor, logo depois que assumiu certo dia o pastor Benildo foi visitar meu pai em seu trabalho em uma portaria perto da igreja, a portaria fica no alto de um morro e quando meu pai viu o pastor pensou, "lá vem aquele pastor chato", logo que subiu o morro e chegou perto do meu pai o pastor Benildo disse: "Quando eu estava lá embaixo o Espírito Santo me revelou que você pensou: lá vem aquele pastor chato, mas saiba que eu estou aqui e tenho algo de Deus pra você". Após esse fato meu pai passou a admirá-lo e respeitá-lo. Veja como eram esses homens cheios do poder de Deus que iniciaram nossa história.

3ª Aplicação = Onde está essa busca hoje?

Conclusão:
Vamos Conservar os Marcos Antigos. Venho te pedir para conservar apenas um, não 12, 10, 7 ou 3, um marco, um princípio: a busca pela manifestação do Espírito Santo. Paulo fala em 1 Ts 5.19: "não extingais o Espírito". Paulo entende aqui que o Espírito Santo é uma chama que não deve ser apagada.

Não apague a chama como na patrística, como no metodismo histórico.    Houveram experiências no início da nossa igreja fantásticas, como a que me contou o pr. Jorge Banner da nossa Igreja de Guapimirim que no início da igreja em Suruí um grupo de irmão saiu da Igreja Metodista do Brasil e oravam constantemente pedindo fogo do céu, um membro da antiga Igreja zeloso pela obra porém desprovido de visão obrigou seu filho a jogar gasolina ao redor da igreja e tacar fogo, dizendo que se queriam fogo eles teriam, porém ao riscar o fósforo e lançar na gasolina o fogo não pegou, os irmão que estavam orando vendo aquilo começaram então a orar com mais intensidade e naquele dia várias pessoas foram batizadas com o Espírito Santo.

Experiências como a que me contou o pastor Felisberto da IMW de Olinda, na 6ª Região, que em uma fazenda do interior do Espírito Santo a mulher de um fazendeiro se converteu, porém o fazendeiro muito rígido não gostava de crentes, a esposa marcou um culto porém o fazendeiro teria de viajar, então pediu para seu capataz vigiar o culto e se tivesse alguma dúvida parasse o culto. O fazendeiro foi viajar e no dia do culto os irmão chegaram e começaram a orar, o capataz estava vigiando do portão, depois foi para a janela, foi pra porta, sentou-se no último banco e quando deu por si, já estava na frente e foi batizado com o Espírito Santo. Uma semana depois quando o fazendeiro voltou e perguntou para o capataz: como foi? Fora informado que ele agora era crente também...

Somos de uma igreja que preza pela busca pela manifestação do Espírito Santo, que Deus nos ajude para que essas experiências não fiquem no passado, a 40, 47, 50 anos atrás mas sejam parte de nossa igreja no presente.

Amém.


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IGREJA METODISTA WESLEYANA EM PIABETÁ
Distrito de Magé - Primeira Região Eclesiástica
Pr. Ricardo Souza Ribeiro - Celular (21) 98490-7761
Avenida Santos do Dumont, 1649 - Piabetá - Magé - RJ

HORÁRIOS DE CULTOS
TERÇA - Culto de Oração 19h30
QUINTA - Culto de adoração 19h30
DOMINGO - EBD 09h00 - 1º Culto 17h00 - 2º Culto 19h10.